Ao líder espiritual do Tibete, o Dalai Lama, Prêmio Pacem in Terris 2019

Comentando a “grande honra” pelo Prêmio, o líder espiritual de 83 anos disse: “Todos os seres humanos são filhos de Deus, o Pai. Somos realmente irmãos e irmãs, porque todos os seres humanos partilham a mesma natureza. Por isso devemos amar-nos uns aos outros, respeitando-nos uns aos outros. O mundo de hoje precisa verdadeiramente dessa mensagem de paz”.

Vatican News | Quarta, 20 Março 2019 08:40
Ao líder espiritual do Tibete, o Dalai Lama, Prêmio Pacem in Terris 2019 Vatican Media

O líder espiritual do Tibete, o Dalai Lama, foi galardoado com o Prêmio “Pacem in Terris – Paz e liberdade”. O reconhecimento feito pelo Conselho inter-racial católico de Davenport (Iowa), nos EUA, no qual onze organizações religiosas colaboram.

Esperança de que a paz pode vencer a injustiça

O reconhecimento foi entregue em 4 de março em Dharamsala, na Índia, ao Dalai Lama pelo bispo de Davenport, Dom Thomas Zinkula. “Durante toda sua vida ele foi promotor de paz no interior e de paz no mundo”, disse o bispo. Na motivação do prêmio, lê-se:

“O Conselho reconhece sua visão e seu compromisso em favor dos direitos humanos, a paz no mundo e a resolução não-violenta dos conflitos. É claro, de suas palavras e de seus gestos, que o senhor é uma pessoa profundamente radicada no espírito de paz. Sua liderança na promoção do respeito pela dignidade e a cultura do povo tibetano dá abundantemente a todos os povos oprimidos a esperança de que a paz pode vencer a injustiça.”

1959, fuga para a Índia

Tenzin Gyatso, XIV Dalai Lama do budismo tibetano, fugiu em 1959 de Lhasa, no Tibete – centro-leste da Ásia –, durante uma revolta tibetana contra o domínio militar chinês, encontrando refúgio na Índia.

Esperança de poder voltar ao Tibete

Embora muitas vezes tenha procurado dialogar com Pequim, para salvaguardar a autonomia da religião e da cultura tibetanas ameaçadas de um “genocídio cultural”, o Partido comunista sempre o estigmatizou como um “perigoso separatista” que quer a independência do Tibete.

No desejo de poder voltar ao Tibete, em 2011 ele renunciou a seu encargo político permanecendo somente líder espiritual do budismo tibetano. Mas o Partido comunista chinês continua considerando-o um “lobo em pele de cordeiro”.

Mensagem de paz: devemos respeitar-nos uns aos outros

Comentando a “grande honra” pelo prêmio, o líder espiritual de 83 anos disse: “Todos os seres humanos são filhos de Deus, o Pai. Somos realmente irmãos e irmãs, porque todos os seres humanos partilham a mesma natureza. Por isso devemos amar-nos uns aos outros, respeitando-nos uns aos outros. O mundo de hoje precisa verdadeiramente dessa mensagem de paz”.

Uma das maiores preocupações do Partido comunista chinês é poder dominar a sucessão do XIV Dalai Lama. Por tradição, o sucessor, homem ou mulher, é reconhecido como reencarnação do líder espiritual precedente, quando este já faleceu.

Dalai Lama: sucessor poderá vir da Índia e não da China

Em 1995 Pequim aprisionou Gedhun Choekyi Nyima, o Panchen Lama (segundo encargo do budismo tibetano) reconhecido pelo Dalai, e impôs um Panchen Lama escolhido pelo Partido, Gyaincain Norbu.

Pequim já estabeleceu que qualquer “reencarnação do Lama”, para ser verdadeira, precisa do visto do Partido. Talvez seja por isso que, dias atrás, o Dalai Lama declarou que sua futura reencarnação poderia verificar-se na Índia e não na China.

No futuro, possibilidade de dois Dalai Lama

Falando à agência Reuters, ele comentou: “No futuro, é provável que se tenham dois Dalai Lama, um aqui (na Índia), num país livre, e um escolhido pelos chineses, de quem ninguém terá confiança e ninguém respeitará”.

E acrescentou: “A China é uma grande nação, uma nação antiga – mas tem um sistema político que é totalitário, sem liberdade”, arrematou o líder espiritual do Tibete.