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Ano Especial dedicado a São José

Por ocasião dos 150 anos da proclamação de São José como guardião universal da Igreja, pelo papa Pio IX, o Papa Francisco convocou o ano de 2021 como sendo um ano especial dedicado a São José.

Pe. Marcos J. Patricio | Coordenador Diocesano de Pastoral | Quinta, 04 Março 2021 09:45
Ano Especial dedicado a São José

08 dez, 2020 a 8 dez, 2021

 

Através da Carta Apostólica Patris Corde “Coração de Pai” do dia 08 de dezembro de 2020,  Francisco  convida todos os católicos a conhecer melhor o pai adotivo de Jesus e sua importância no projeto de Salvação de Deus.

Ele explica que sua decisão é motivada pela situação emergencial que o mundo inteiro hoje enfrenta e aproveita para dirigir “uma palavra de reconhecimento e gratidão”, as pessoas comuns,  “aparentemente escondidos ou em segundo plano”: “pessoas comuns (habitualmente esquecidas), que não aparecem nas manchetes dos jornais e revistas, nem nas grandes passarelas do último espetáculo, mas que hoje estão, sem dúvida, a escrever os acontecimentos decisivos da história: médicos, enfermeiras e enfermeiros, trabalhadores dos supermercados, pessoal da limpeza, curadores, transportadores, forças policiais, voluntários, sacerdotes, religiosas e muitos – mas muitos – outros que compreenderam que ninguém se salva sozinho”.

“Todos podem encontrar em São José – o homem que passa despercebido, o homem da presença quotidiana discreta e escondida – um intercessor, um amparo e uma guia nos momentos de dificuldade. São José lembra-nos que todos aqueles que estão, aparentemente, escondidos ou em segundo plano, têm um protagonismo sem paralelo na história da salvação. A todos eles, dirijo uma palavra de reconhecimento e gratidão”, afirma.

 

São José Modelo de Paternidade

 

A Carta Apostólica apresenta sete pontos de reflexão que podem ser traduzidos em sete grandes elogios às virtudes de São José, valorizando  sua “coragem criativa, que o leva a transformar um problema numa oportunidade, antepondo sempre a sua confiança na Providência” e termina com um testemunho do próprio Francisco, sobre a confiança que deposita diariamente na intercessão deste santo.

  1. Pai amado

Nesta reflexão, o Papa Francisco socorre-se das palavras de Paulo VI e apresenta São José como um pai que foi sempre amado pelo povo cristão, fato comprovado pelas várias representações sacras em sua honra.

“Muitos Santos e Santas foram seus devotos apaixonados, entre os quais se conta Teresa de Ávila que o adotou como advogado e intercessor, recomendando-se instantemente a São José e recebendo todas as graças que lhe pedia; animada pela própria experiência, a Santa persuadia os outros a serem igualmente devotos dele. Em todo o manual de orações, há sempre alguma a São José. São-lhe dirigidas invocações especiais todas as quartas-feiras e, de forma particular, durante o mês de março inteiro, tradicionalmente dedicado a ele.”

  1. Pai na ternura

O Papa Francisco lembra-nos que “a ternura é a melhor forma para tocar o que há de frágil em nós”, dando como exemplo a angústia de José.

“Muitas vezes o dedo em riste e o juízo que fazemos a respeito dos outros são sinal da incapacidade de acolher dentro de nós mesmos a nossa própria fraqueza, a nossa fragilidade. (…) A vontade de Deus, a sua história e o seu projeto passam também através da angústia de José. Assim ele ensina-nos que ter fé em Deus inclui também acreditar que Ele pode intervir inclusive através dos nossos medos, das nossas fragilidades, da nossa fraqueza. E ensina-nos que, no meio das tempestades da vida, não devemos ter medo de deixar a Deus o timão da nossa barca. Por vezes queremos controlar tudo, mas o olhar d’Ele vê sempre mais longe.”

  1. Pai na obediência

Apesar dos momentos de angústia e de ter sentido o coração envolvido em dilema, José fez o que lhe ordenou o Anjo: “com a obediência, superou o seu drama e salvou Maria”, sublinha o Pontífice em nova reflexão.

“Vê-se, a partir de todas estas vicissitudes, que «José foi chamado por Deus para servir diretamente a Pessoa e a missão de Jesus, mediante o exercício da sua paternidade: desse modo, precisamente, ele coopera no grande mistério da Redenção, quando chega a plenitude dos tempos, e é verdadeiramente ministro da salvação».”

  1. Pai no acolhimento

Confiando nas palavras do Anjo, José acolheu Maria sem reservas, decidindo-se pela sua “honra, dignidade e vida”. De acordo com o Papa Francisco, José deixa de lado os seus medos para se reconciliar com a sua própria história. Assim, sugere, talvez em situações que causam primeiramente a nossa desilusão e revolta possamos parar para nos reconciliarmos nós também com a nossa própria história.

“A vida espiritual que José nos mostra, não é um caminho que explica, mas um caminho que acolhe. Só a partir deste acolhimento, desta reconciliação, é possível intuir também uma história mais excelsa, um significado mais profundo. Parecem ecoar as palavras inflamadas de Job, quando, desafiado pela esposa a rebelar-se contra todo o mal que lhe está a acontecer, responde: «Se recebemos os bens da mão de Deus, não aceitaremos também os males?» (Job 2, 10).”

  1. Pai com coragem criativa

Para além da capacidade de nos reconciliarmos com a nossa própria história, o Papa Francisco refere a coragem criativa como uma característica essencial para superarmos os momentos em que nos deparamos com dificuldades.

“Sempre nós devemos interrogar se estamos a proteger com todas as nossas forças Jesus e Maria, que misteriosamente estão confiados à nossa responsabilidade, ao nosso cuidado, à nossa guarda. O Filho do Todo-Poderoso vem ao mundo, assumindo uma condição de grande fragilidade. Necessita de José para ser defendido, protegido, cuidado e criado. Deus confia neste homem, e o mesmo faz Maria que encontra em José aquele que não só Lhe quer salvar a vida, mas sempre A sustentará a Ela e ao Menino.”

  1. Pai trabalhador

Um aspecto que caracteriza São José, de tal modo que todos o conhecemos e várias vezes vemos representado também, é a sua relação com o trabalho. São José era um carpinteiro que trabalhou árdua e honestamente para garantir o sustento da sua família. “Com ele, Jesus aprendeu o valor, a dignidade e a alegria do que significa comer o pão fruto do próprio trabalho”, diz-nos o Papa Francisco.

“O trabalho torna-se participação na própria obra da salvação, oportunidade para apressar a vinda do Reino, desenvolver as próprias potencialidades e qualidades, colocando-as ao serviço da sociedade e da comunhão; o trabalho torna-se uma oportunidade de realização não só para o próprio trabalhador, mas sobretudo para aquele núcleo originário da sociedade que é a família. Uma família onde falte o trabalho está mais exposta a dificuldades, tensões, fraturas e até mesmo à desesperada e desesperadora tentação da dissolução. Como poderemos falar da dignidade humana sem nos empenharmos para que todos, e cada um, tenham a possibilidade dum digno sustento?”

  1. Pai na sombra

O Pontífice conclui a carta explicando que ninguém nasce pai, “torna-se tal” e não apenas porque se colocou no mundo um filho, mas porque se cuida responsavelmente dele.

“Ser pai significa introduzir o filho na experiência da vida, na realidade. Não segurá-lo, nem prendê-lo, nem subjugá-lo, mas torná-lo capaz de opções, de liberdade, de partir. Talvez seja por isso que a tradição, referindo-se a José, ao lado do apelido de pai colocou também o de «castíssimo». Não se trata duma indicação meramente afetiva, mas é a síntese duma atitude que exprime o contrário da posse. A castidade é a liberdade da posse em todos os campos da vida. Um amor só é verdadeiramente tal, quando é casto. O amor que quer possuir, acaba sempre por se tornar perigoso: prende, sufoca, torna infeliz.”